A História do Uso do Protetor Solar

Desde 1980, com o crescente número de casos de câncer de pele, os cientistas alertam a população sobre os perigos da exposição solar.

Foi então que o uso do filtro solar se tornou tão crescente e relevante.

Com o passar dos anos, todo o nosso organismo, todas as células sofrem o processo de envelhecimento e esse é um fato fisiológico.

Entretanto, fatores externos como o fumo, o estresse, hábitos não saudáveis e a radiação ultra violeta podem acelerar consideravelmente o envelhecer.

Os raios solares são responsáveis por efeitos danosos na pele como queimadura, elevação da temperatura cutânea, espessamento, pigmentação, imunossupressão e seus danos cumulativos, ou crônicos incluem: o fotoenvelhecimento com desidratação, rugas, alterações no DNA, formação de radicais livres e estresse oxidativo, hiperpigmentação (manchas), podendo levar até o câncer de pele.

Dentre a luz emitida pelo sol, temos três variações: o infravermelho (IV) que penetram profundamente na pele, na camada hipodérmica e a elevada exposição pode causar queimaduras; a luz visível que penetra superficialmente na pele e por fim os raios Ultravioleta (UV) que atingem consideravelmente as camadas da pele, epiderme e derme.

Quando abordamos o tema fotoproteção, estamos falando principalmente dos raios UV que possuem diferentes comprimentos de onda, sendo:

  • UVC (100 – 280 nm): são filtrados pela camada de ozônio e, portanto, não atingem a Terra;
  • UVB (280 – 315 nm): raios que penetram na pele atingindo as camadas da epiderme e da derme papilar, levando a formação de eritema, além de alterações nas fibras de colágeno e elastina, apresentando assim participação no processo de foroenvelhecimento. O comprimento de onda do raio UVB, embora seja menor que o comprimento de onda dos raios UVA, apresenta consequentemente maior quantidade de energia, sendo o responsável pelo agravamento ou formação das manchas e pelo câncer. Essa radiação provoca o bronzeamento tardio pela hiper estimulação funcional dos melanócitos. É importante ressaltar que tomar sol antes da 10 ou após às 15 horas, durante 20 minutos  por dia, com pelo menos 20% do seu corpo exposto, faz com que a absorção dos raios   UVB participem da síntese da vitamina D, que é essencial para o nosso organismo,            embora a suplementação diária também seja recomendada.
  • UVA 1 e 2 (315 – 400 nm): são raios que penetram profundamente, atingindo a derme reticular e longos períodos de exposição causam lesão na matriz extracelular, produção de espécies reativas de oxigênio, aumentam a quantidade de células inflamatórias, reduz a imunidade da pele, e levam ao fotoenvelhecimento e fotossensibilização. Por ser mais penetrante, essa radiação não causa queimaduras ou eritema, mas provoca bronzeamento imediato com reação de escurecimento da pele pela oxidação dos pigmentos de melanina pré formados.

Além do sol, é necessário elencar aqui outras fontes de radiação ultravioleta como lâmpadas de mercúrio, utilizadas para fins de esterilização de ambientes hospitalares e lâmpadas fluorescentes comuns.

Os celulares e computadores não emitem a radiação ultravioleta, mas também são prejudiciais para a pele por emitirem luz violeta e azul, conhecida como luz visível de alta energia e já documentada como também causa do fotodano à pele.

Tipos de Filtro Solar

Para proteger a pele das radiações e obter os benefícios dessa fotoproteção, deve-se levar em consideração que a eficácia do fotoprotetor dependerá do veículo da formulação, dos tipos de filtros solares utilizados, da quantidade de aplicada e da reaplicação.

Atualmente a melhor opção é por filtros solares de amplo espectro, que oferecem proteção tanto aos raios UVA quanto UVB e que possuem moléculas complexas com capacidade de absorção, reflexão e dispersão da radiação, minimizando seus efeitos nocivos sobre a pele.

No Brasil, a Resolução RDC nº61, de 3 de fevereiro de 2016, lista os filtros UV permitidos para produtos de higiene pessoal e a concentração máxima dessas substâncias no produto.

Existem dois tipos de filtros solares:

  • Os filtros solares inorgânicos, conhecidos como filtros físicos ou bloqueadores solares, contêm partículas inertes em água ou material graxo, como dióxido de titânio e o óxido de zinco que apresentam baixa permeação cutânea, consequentemente menor potencial irritativo, formam uma camada protetora que reflete e dispersa a radiação e tem elevada fotoestabilidade. Esse tipo de protetor solar é ideal para peles sensíveis, alérgicos, gestantes, crianças e pós procedimentos estéticos como peelings químicos e microagulhamento. Importante ressaltar que ambos, dióxido de titânio e o óxido de zinco não oferecem risco de toxicidade à pele e exercem função protetora UVA e UVB, mas oferecem um inconveniente por formar uma película branca sobre a pele, desse modo, opte por protetores que contenham em sua formulação os ativos: Zano® 10 Plus (INCI name: Zinc Oxide (and) Triethoxycaprylysilane), Z-COTE® MAXTM(INCI name: Zinc Oxide (and) Dimethylphenylsilane/Triethoxycaprylysilane Crosspolymer), T-LiteTM SF-S (INCI name: Titanium Dioxide (and) Hydrated Silica (and) Dimethicone/Methicone Copolymer (and) Aluminium Hydroxide) ou ainda, PARASOL® SLX (INCI name: Polysilicone 15);
  • Os filtros solares orgânicos, denominados químicos ou protetores solares, agem absorvendo a radiação, convertendo-os em radiação de baixa energia e não prejudicial. As principais substâncias químicas que desempenham esse papel de fotoproteção são Eusolex 9020®;
  • Eusolex 6007®, Neo Heliopan AV®, PABA (ácido para-aminobenzóico), OMC (INCI name: Ethylhexyl Methoxycinnamate). E outras mais recentes e avançadas que podemos citar: Uvinul A Plus® (INCI name: Diethylamino Hydroxybenzoyl Hexyl Benzoate), Uvinul® T 150 (INCI name: Ethylhexyl Triazone) e Tinosorb® S e M (INCI name: Methylene Bis-Benzotriazolyl Tetramethylbutyphenol)

 

Diferença de FPS e PPD

Você sabe a diferença das denominações FPS e PPD presentes no filtro solar e sua importância no momento de escolher o seu produto?

O uso do filtro solar nas áreas mais expostas ao sol como rosto, pescoço, colos e mãos é essencial para retardar diariamente os sinais de envelhecimento precoce. Note que quando observamos a pele de um bebê, nela não tem manchas ou pintinhas, por isso quanto menos manchas temos em nossa pele, menos idade aparentamos.

Quando você olha as embalagens de filtro solar, se depara com a sigla FPS, saiba que ela significa Fator de Proteção Solar, e indica o fator (ou a quantidade) de proteção para os raios UVB, sendo uma relação entre a menor quantidade de raios UVB que torna a pele protegida e a quantidade de radiação necessária para produzir vermelhidão na pele desprotegida.

Nesse sentido, o FPS indica quanto tempo a pessoa pode ficar exposta ao sol sem sofrer queimaduras. O FPS aparecerá na embalagem do protetor geralmente indicado por um número, por exemplo FPS 15, FPS 60.

Esse fator deve ser selecionado de acordo com o tipo de pele, sendo que peles mais claras, tem maior tendência a sofrer queimaduras e necessitam de maior fator de proteção, ou seja acima de 30, pois esses protetores apresentam na média de 96,5% de absorção da luz solar.

Já as peles com fototipos mais altos, possuem mais quantidade de melanina, sendo mais resistentes à queimadura, assim um fator de proteção no mínimo 15 pode ser suficiente, pois esses produtos apresentam percentual de absorção da luz solar em média de 93,8%.

Já o PPD, é uma sigla em inglês que pode ser traduzida com o significado de pigmentos persistentes de pigmentação, e indica o fator de proteção contra os raios UVA, sendo medido pela avaliação da pigmentação imediata, ou seja, de 2 a 4 horas após a exposição.

O PPD geralmente é indicado na embalagem por cruzes ou FPUVA (Fator de Proteção UVA) e o ideal é a partir de 10, ou um terço do FPS (por exemplo: se o FPS for 30, o PPD deve ser 10).

Assim, tanto o FPS, o PPD, a estabilidade, os conservantes, antioxidantes, emolientes, emulsionantes, a textura, a resistência à água, o tipo e classificação de pele, alergias e hipersensibilidade, devem ser considerados quando você for escolher o protetor solar ideal.

Importante ressaltar que a presença de antioxidantes retarda a velocidade de oxidação da fórmula inibindo a formação de radicais livres, um bom exemplo de antioxidante presente em protetores e que pode contribuir até com o aumento da fotoproteção é a vitamina E, além disso o pH do produto deve estar entre 6,0 e 7,0 garantindo assim maior estabilidade.

Assim, para escolher o protetor, você deve considerar seu tipo da pele (normal, seca, mista ou oleosa,) e fototipo, ou seja, a quantidade de melanina presente.

Tipos de pele

Fototipo

FPS mínimo

Tipo de protetor

Normal e seca

Peles que queimam com frequência, tem baixo ou nenhum grau de bronzeamento e são muito sensíveis ao sol (fototipo I, II e III)

30

Creme, podendo ser com ou sem cor e com ativos hidratantes e antienvelhecimento

Normal e seca

Peles que queimam com moderação ou raramente, bronzeiam com frequência, não apresentam muita sensibilidade ao sol (fototipo IV, V e VI)

15

Creme, podendo ser com ou sem cor e com ativos hidratantes e antienvelhecimento

Oleosa ou mista

Peles que queimam com frequência, tem baixo ou nenhum grau de bronzeamento e são muito sensíveis ao sol (fototipo I, II e III)

30

Fluído ou creme livre de óleo, podendo ser com ou sem cor, toque seco, antioleosidade

Oleosa ou mista

Peles que queimam com moderação ou raramente, bronzeiam com frequência, não apresentam muita sensibilidade ao sol (fototipo IV, V e VI)

15

Fluído ou creme livre de óleo, podendo ser com ou sem cor, toque seco, antioleosidade

Peles sensíveis

De todos os fototipos

30 ou mais

Optar por fotoprotetores que não contenham benzofenona-3 (oxibenzona) e PABA por serem conhecidamente fotoalergênicos

Crianças e gestantes

De todos os fototipos

30 ou mais

Optar por filtros 100% físicos que por não serem absorvidos apresentam maior segurança quanto a reações alérgicas e possíveis efeitos endócrinos de aumento do potencial estrogênico.

Protetor solar pode levar a calvície frontal e falhas nas sobrancelhas?

Em 1994, foi descrita pela primeira vez uma alopecia denominada fibrosante frontal, trata-se de um tipo de alopecia cicatricial e que vem sendo crescentemente diagnosticada.

Nesse tipo de patologia, a pessoa apresenta queda crescente na região frontal do couro cabeludo, fazendo com que a testa se alongue e a linha de implantação dos cabelos fique posicionada atrás das orelhas.

Como é uma condição recente, há muitos estudos envolvidos na investigação da sua principal causa, mas, por envolver a parte frontal do couro cabeludo e as sobrancelhas, está em estudo se o filtro solar, que é aplicado nessas regiões, tem alguma relação causal com a patologia.

No entanto, os estudos realizados não identificaram nenhum componente presente nos protetores solares que seja capaz de causar queda capilar.

De modo que, como a causa da alopecia fibrosante frontal ainda é desconhecida, não se deve parar de usar protetor solar visto que ele exerce importante papel de prevenção contra o câncer de pele.

Como aplicar o Protetor Solar?

A quantidade ideal de protetor deve ter a quantidade de uma colher de chá por área de aplicação, deve ser espalhado de maneira uniforme em toda a face, pescoço e áreas expostas frequentemente, como mãos e colo.

A aplicação deve ser realizada pela manhã após a higienização com sabonete específico para seu tipo de pele.

Caso utilize vitamina C ou cremes hidratantes, esses devem ser aplicados na pele antes do protetor solar, já a maquiagem deve ser sempre aplicada após a proteção.

Há sempre necessidade de reaplicação do produto (ideal a cada 2 horas) ou por pelo menos uma vez ao dia e, atualmente podemos encontrar formatos de protetores em pó ou bastão que facilitam essa reaplicação.

Mas lembre-se, caso você esteja fazendo uso de ácidos ou tenha realizado procedimentos estéticos faciais, essa frequência de reaplicação deverá ser maior do que apenas duas vezes ao dia, mesmo se você estiver fora da exposição solar.

Assim, o seu protetor ou bloqueador solar será ideal se for selecionado de acordo com as características e classificação da sua pele, do tempo de exposição solar, devendo atender as necessidades individuais e exercendo a proteção eficaz contra os raios UVA e UVB para prevenir queimaduras, manchas e, retardando o fotodano e os efeitos do envelhecimento precoce.

Proteja-se!

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