Em 2014, se eu tivesse desistido de buscar meus objetivos devido as dificuldades de empreender na estética ou gerenciar meu próprio negócio, eu certamente não estaria aqui hoje.

O início da carreira profissional

Muita gente até hoje me pergunta o que um biomédico faz?

Pois bem, antes de continuar minha história, acho que é preciso esclarecer essa pergunta:

O profissional biomédico pode atuar em 30 diferentes habilitações e nossa formação tem como foco as disciplinas de saúde, assim minha profissão é derivada da medicina e da biologia.

Buscamos entender e pesquisar sobre as doenças, exames clínicos, participamos no desenvolvimento de tratamentos, na prevenção e promoção da saúde visando qualidade de vida da população.

Porém, como biomédicos, não tratamos patologias, não realizamos diagnósticos conclusivos, não realizamos cirurgias, sendo essas, por exemplo, habilitações exclusivas da medicina.

O que me fez escolher essa profissão foi sempre a curiosidade de saber mais, de pesquisar e de poder ajudar pessoas sendo nos exames, sendo no bem estar como atualmente faço na estética.

Dentre as habilitações possíveis em Biomedicina, eu já passei pela pesquisa, análises clínicas, biologia molecular, banco de sangue, citologia, acupuntura e, atualmente, me encontrei no ensino e na estética.

Me formei em Biomedicina em 2008 em Ribeirão Preto/SP. Quando conclui a faculdade, eu queria o que a maioria dos formandos quer: começar a atuar na área e ter estabilidade.

Essa palavra estabilidade me soava muito bem no início da minha carreira, pois imaginava um trabalho de 8:00 as 17:00, carteira assinada e férias remuneradas. Não enxergava mais nada além disso.

Assim, comecei minha jornada profissional trabalhando no Banco de Sangue do Hemocentro de Ribeirão Preto, pois havia sido aprovada no concurso onde permaneci durante 3 anos.

Eu realizava a rotina de testes de biologia molecular, uma das áreas mais promissoras em que um Biomédico deseja estar. Os testes detectavam precocemente o HIV e os vírus das Hepatites nas amostras de doadores de sangue, sendo possível assim reduzir o potencial de transmissão transfusional dessas doenças.

AMADURECIMENTO PROFISSIONAL

Após 3 anos da estabilidade – que eu julgava ser perfeita – os meus sonhos falavam mais alto e tanto a oportunidade de morar em Brasília quanto o amadurecimento me tiraram da zona de conforto e, em 2011, depois de três anos namorando a distância, casei e me mudei!

Para mim, parecia maravilhoso, morar em uma cidade onde os concursos acontecem a todo momento, era a oportunidade certa para ter a tão querida “estabilidade” de volta.

Antes do casamento, prestei alguns processos seletivos para trabalhar na capital do poder. Fui aprovada e comecei a atuar no Ministério da Saúde na Coordenação de Sangue e Hemoderivados, onde fui a responsável por implantar o teste de biologia molecular – aquele mesmo que realizava na rotina do Hemocentro – em todo o Brasil. Fiz mais de 30 viagens em menos de 12 meses, foi uma experiência profissional incrível.

Aprendi, amadureci e estudei muito, fiz palestras, participei de importantíssimas reuniões, visitei Hemocentros do Brasil inteiro e fiz muitos amigos. Nesse período tive a oportunidade de fazer o mestrado em um dos melhores centros de ensino do país, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Campus de Ribeirão Preto (USP-RP).

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Mudança de mentalidade

No entanto, desde 2014 algo começou a me incomodar e me perguntei. Qual caminho eu queria seguir na minha vida? Quanto mais eu trabalhava meus ganhos eram os mesmos, os problemas eram os mesmos. Não havia novos desafios.

Nunca passou pela minha cabeça mudar de área, sempre fui e sempre serei biomédica.

Acho que o grande problema de algumas pessoas é achar que mudando completamente de profissão tudo será resolvido, mas você tem que antes de tudo olhar para si, exercer o amor próprio e saber que mudar de área, de trabalho ou de profissão não quer dizer mudar de dom ou de habilidades.

E, quanto melhor você compreender e amadurecer isso, mais certa será a decisão. Eu demorei, mas cheguei em um ponto que tinha que arriscar, cheguei à conclusão de que queria meu próprio negócio.

Como disse anteriormente, não sou fã de retrabalho, então eu nunca faria outra faculdade e nunca tive vontade de atuar fora da minha área de formação profissional, foi então que na época, a estética que era a mais nova habilitação do biomédico, me chamou atenção.

Uma área crescente, que eu sempre tive afinidade e na qual poderia agregar toda minha experiência profissional e ter meu próprio negócio para continuar assim transformando a vida de pessoas.

As mudanças de governo e de chefia atrapalhavam todo o processo de trabalho e havia retrocessos. Tudo ficava estagnado por meses e esses fatos me incomodavam muito, pois nunca fui muito fã de retrabalho.

Sempre soube que poderia fazer diferente e, com a ajuda da minha família, comecei a pesquisar o que eu mais eu gostava e como eu poderia mudar e sair dessa insatisfação.

No rumo da estética

Assim, iniciei uma pós-graduação para me habilitar em biomedicina estética na Nepuga, que na época oferecia cursos somente em Ribeirão Preto ou São Paulo.

Não foi fácil! Tinha que pagar o curso, viagem de avião, alimentação, enfim, um custo enorme. Além disso, deixar minha casa e meu marido, meu momento de descanso durante a semana. Foi uma fase de animação, mas, também de exaustão.

Em 2015, terminei o curso e, abri a minha agenda para atendimento dos familiares e amigos do trabalho.

Corri e comprei os itens básicos como: maca portátil, produtos para limpeza de pele, materiais para microagulhamento, descartáveis, o básico para começar e, para colocar em prática o que eu havia visto na pós-graduação, iniciei a partir de então os atendimentos.

Percebi, logo nesse início, que apenas as aulas da pós-graduação não seriam suficientes, foi então que realizei diversos cursos livres, como de microagulhamento, preenchimento, toxina botulínica, drenagem linfática, massagem modeladora, entre outros.

Alguns desses cursos fiz mais de uma vez, só que com professores diferentes assim, tive ainda mais segurança e a chance de aprender diversos pontos de vista, diversas técnicas e experiências profissionais.

Os primeiros atendimentos

Começaram a surgir os primeiros clientes, principalmente os colegas de trabalho, para limpeza de pele e microagulhamento.

Colocava tudo na mala do carro e ia para a casa deles. A cada cliente externo, eu ia pelo caminho implorando para que o local tivesse elevador, porque subir vários lances de escada carregando a maca e bolsas com os equipamentos, não era fácil. Só quem faz isso sabe.

Certa vez, em um dos atendimentos, toda a família estava na sala me olhando trabalhar.

Isso fazia com que eu perdesse a concentração e não havia privacidade. Mas, tudo que é ruim ainda pode piorar, uma vez fui fazer microagulhamento e o lindo gatinho da cliente pulou em cima dela enquanto eu microagulhava o seu rosto, foi horrível!

Além dos atendimentos domiciliares, também fazia procedimentos estéticos no escritório do meu apartamento, tudo improvisado e sem luxo nenhum.

Break nos atendimentos

A grande maioria dos casais que se casam, depois de um tempo: querem filhos e conosco não foi diferente.

Em 2016, engravidei de maneira planejada e tive que parar os atendimentos. Parei devido à exaustão dos atendimentos domiciliares e por saber que alguns cosméticos com suas diferentes composições químicas poderiam interferir na saúde do meu bebê.

Pude vivenciar essa dúvida sobre quais cosméticos utilizar na gravidez ou quais tratamentos estéticos podem ser realizados na gestação de outras mães e decidi escrever aqui no blog posts sobre tais assuntos.

Se você quer saber também quais os cremes, loções, shampoos e outros produtos estéticos podem ser utilizados na gestação e amamentação sem risco para os bebês? Se sim, leia esse post: Cuidados com a pele na gestação e na amamentação

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Base do crescimento

Com esse tempo sem atendimentos, eu e meu marido iniciamos o processo de naming da empresa. Desenvolvemos juntos o conceito, o que queríamos de diferente das outras clínicas de estética.

 

Imaginávamos como queríamos nos diferenciar no mercado. Como faríamos o marketing da estética e como obteríamos mais clientes e fidelizaríamos os serviços prestados.

Também começamos o levantamento sobre quantos clientes precisaríamos para manter os custos da empresa. Em nenhum lugar tinha isso escrito. A não ser que se comprasse uma franquia por 150k e, definitivamente não tínhamos todo esse dinheiro!

Eram muitas perguntas sem resposta. Pesquisávamos na internet sobre como abrir uma clínica de estética e percebemos que todos os posts são de pessoas que nunca abriram uma estética, ou seja, nunca tiveram o sangue no negócio ou quando se tratava de clínicas maiores, os donos nem eram da área de saúde.

No entanto, sabíamos que precisaríamos de clientes todos os dias em nossa clínica de estética para arcar com os custos e ganhar dinheiro.

Entre todas as pesquisas e dificuldades, nascia a Bio Renew! A nossa visão é que ela seria a maior clínica de estética de Brasília. Hoje já vejo que ela é uma das maiores do Brasil.

 

Mas ao decidir e começar a “materializar” a Bio Renew, uma outra pergunta vinha fortemente na minha mente: “Você vai ter um filho! Como ser mãe e empreender?”

E enquanto eu realizava o sonho do meu próprio negócio, meu baby me chutava na barriga dizendo que ele também existia…e a insegurança de mãe, mulher e empreendedora assombravam meu coração! (Mas esse é um assunto para outro post: como equilibrar a vida de mãe e empreender)

 

Assim, decidimos que um dos melhores caminhos de nossa base seria iniciar a estratégia de marketing, mesmo sem publicar nada. Então, enquanto meu marido desenvolvia o site da empresa, eu já desenhava quais seriam os procedimentos que teríamos e quais os equipamentos de estética que iríamos precisar.

Se você quer saber mais sobre quais procedimentos implantar quando se está começando na estética, leia esse post: 9 Serviços estéticos rentáveis para você faturar até 15K por mês

Em março de 2016, abrimos a empresa e alugamos nosso primeiro espaço. Eram 20m2 repletos de energia boa e fé! Conseguimos uma carência boa com o proprietário.

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Reformamos parcialmente o espaço, colocamos iluminação, ar condicionado compramos móveis e cadeiras.

Mesmo depois da pequena reforma, tive dificuldades com a bancada da pia e a torneira e para atender às exigências da vigilância sanitária, foi preciso mudar a bancada da pia e a torneira que precisava ser de fechamento automático.

Lembra que eu estava grávida? Pois bem, meu filho nasceu em junho de 2016.

Deixamos a clínica fechada enquanto isso e fui amadurecendo meus pensamentos para passar pelo processo de voltar para o trabalho e deixar meu filhote! Não é simples.

Respeito muito as mulheres que renunciam à vida profissional pelos filhos, mas isso nunca passou pela minha mente.

Bola em jogo

Após o período de amamentação e adaptação com o novo baby, voltei a fazer cursos na área de estética.

Reduzi meu horário de trabalho no Ministério da Saúde, assim, trabalhava apenas no período da manhã e na tarde me dedicava na minha clínica de estética.

Percebi que em uma clínica de estética você tem que oferecer o que o cliente procura e não o que você quer ou gosta de fazer.

Então, se você é profissional habilitado a injetar, segue um conselho: não pense que você vai sair da pós e viver de aplicar somente toxina botulínica e preenchedores, porque não vai!

Além disso, se você não sabe como fazer, como cobrará ou ensinará alguém a fazer corretamente?

Invista também em cursos, mesmo que básicos, como: de limpeza de pele, drenagem, massagem relaxante, enfim, procedimentos mais acessíveis que tendem a atrair mais pessoas e, dessa forma, você terá mais oportunidades de estabelecer confiança, fidelizar e também ser o injetor de escolha para esse seu cliente.

Novembro de 2016: Lançamos o site e colocamos o negócio no Google. Foi então que começaram as primeiras mensagens no WhatsApp.

Eu mesma respondia as mensagens e fazia as marcações, não podia e nem precisava gastar com alguém me auxiliando para os agendamentos naquele momento.

Comecei com um, depois dois e três atendimentos por dia. Me virava em mil para trabalhar no Ministério, na Clínica, ser mãe e tudo mais, pois moramos somente eu, meu marido e meu filho em Brasília.

“Todo trabalho sempre que for feito com dedicação, será recompensado!” Lembro como se fosse hoje o primeiro pacote de R$1.150,00 que vendi. Recebi tudo em dinheiro e cheguei em casa comemorando jogando o dinheiro para o alto. Foi mágico!

O Boca a boca havia começado, o trabalho que havíamos feito com o Google e nas mídias sociais começou a aparecer. Alguns meses depois eu não tinha mais horário para atender os clientes. Era maravilhoso e ao mesmo tempo desesperador!

Foi uma vez, quando cheguei em casa já tarde da noite, que abri a porta e me deparei com meu filhote deitado no tapete da sala de estar dormindo porque ficou esperando a mamãe voltar de trabalho para fazê-lo dormir no quarto.

Não dava mais! Pedi demissão do Ministério da Saúde, e comecei a me dedicar somente à clínica e, mesmo assim, a agenda de espera era de quase 2 meses. Ou seja, se você ligasse hoje para agendar uma simples limpeza de pele eu só poderia te atender daqui a 2 meses.

Por um lado, esse tempo de espera era bom, pois gerava autoridade e escassez. No entanto, quem iria esperar 2 meses para fazer uma limpeza de pele? Eu não esperaria.

A clínica estava ótima, mas eu exausta. Não conseguia atender mais clientes e meus ganhos estavam limitados por falta de capacidade de atendimento.

Então, motivada pela minha família, pelo futuro que quero dar ao meu filho, pelo apoio que sempre tive do meu marido e pela minha vontade de “fazer diferente” que decidi dar um grande passo à frente e colocar meu negócio para crescer!

Rumo ao crescimento

Em meio a estudos de viabilidade financeira, escolha de equipamentos, procura de um bom ponto comercial e projetos de maketing, nós encontramos o novo espaço e iniciamos a obra.

Costumo dizer que essa obra foi meu segundo parto, mas hoje temos uma das maiores clínicas de estética de Brasília.

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Hoje, contamos com espaço de 5 salas de atendimento e 3 posições de terapia capilar. Atendemos em média 190 clientes novos por mês e já passamos os 6 dígitos de faturamento mensal.

Esse post ficou longo, pois procurei citar aqui algumas das minhas maiores “dores” durante todo esse processo, compartilhei alguns momentos de aprendizados, as decisões difíceis, soluções e por onde começamos, mas espero que minha história possa inspirar você a trilhar a sua.

Sou biomédica, conheço e sei fazer todos os 65 serviços que ofereço na minha clínica, eu mesma treino os funcionários, resolvo problemas, gerencio e estou ali sempre presente.

Uma sugestão: Nunca aceite conselhos ou sugestões de como abrir uma clínica de estética ou qualquer tipo de outro negócio vindo de pessoas que não estão com a pele em jogo ou nunca construíram nada.

 

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